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ARQUITETURA | 2019

Lina Bo Bardi :
O desejo de desenvolver
uma estética democrática

  • Tempo de Leitura Aproximada : 7 Minutos

Achillina Bo, mais conhecida como Lina Bo Bardi, foi uma arquiteta italo-brasileira que nasceu em Roma, enquanto o país vivia o inicio da I Guerra Mundial. 

 

Ela se casou com o crítico de arte Pietro Maria Bardi, com quem mudou-se para o Brasil em 1946. Lina manteve-se ativa por toda sua vida até o ano de 1992, quando veio a falecer de embolia pulmonar com 77 anos.

 

Lina Bo Bardi estudou arquitetura na Universidade de Roma nos anos 30. No entanto, por medo da expansão facista na cidade, ela resolve se mudar para Milão onde inicia sua carreira profissional. 

 

Porém dois golpes a atingem neste período. Primeiramente, a queda na procura dos trabalhos por conta da II Guerra Mundial. Posteriormente, seu escritório vir a ser bombardeado no ano de 1943. 

“O passado não volta. Importantes são a continuidade e o perfeito conhecimento de sua história.”

Lina Bo Bardi
ARQUITETo

Fugindo do cenário de uma Itália destruída, na metade da década de 1940, a artista então se muda para São Paulo e se naturaliza brasileira em 1951. 

 

Como na Itália não havia espaço para construções, mas apenas destruição no inicio da sua carreira, é aqui que ela faz seus primeiros projetos arquitetônicos, como a Casa de Vidro e peças para mobiliário

 

Ao fim dos anos 50, Lina então se muda para Salvador onde permanece até o ano de 1964. Este período foi um marco na sua carreira, pois foi quando ela conviveu com o embrião intelectual do movimento tropicalista

 

Em suma, foi neste momento que ela pode ter contato real com a cultura raiz do povo brasileiro. Tal experiência vem moldar a mente da arquiteta e como resultado teve forte influência em seus projetos futuros. 

Sobre o que iremos falar neste artigo

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Casa de Vidro - Lina Bo Bardi
Casa de Vidro

Qual movimento estético influenciou a arquiteta?

Lina iniciou sua carreira profissional na Itália no escritório de Gió Ponti o qual a introduziu a um ambiente intelectual e artístico de vanguarda, em meio ao movimento racionalista da arquitetura, ao nascimento do cinema neo-realista, entre outros. 

 

É sobretudo dentro desse universo das vanguardas históricas europeias que Lina Bo Bardi cria suas primeiras referências. 

 

Ocorre que Lina quando vem ao Brasil no ano de 1946, ela se depara com o movimento modernista brasileiro, pois apesar de fortemente influenciado pelo movimento europeu, desenvolveu características próprias e bastante distintas daquele. 

 

Era um movimento modernista sem as garras das recentes guerras mundiais, encabeçado principalmente pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer

 

E é nesse outro modernismo que Lina mergulha quando chega ao Brasil – com toda a erudição de sua formação européia –, em busca de liberdade de criação.

 

Todavia, após alguns anos vivendo no Brasil, é no nordeste que ela encontra um lugar até então desconhecido da maioria dos brasileiros. Era o Brasil da pobreza de meios e bens materiais por um lado, e que por outro lado, era rico de seiva criativa e alegria de viver por outro.

 

Na Bahia, a arquiteta entrou em contato com Glauber Rocha, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, entre outros, o que fez com que Lina quisesse superar, na sua visão, o “esnobismo cultural” e a “inércia conservadora do Sul” para atingir uma estética também mais popular. 

 

Esse período é marcante na vida da arquiteta, que começa a buscar como traço autêntico uma união da antropologia e os traços de brasilidade do povo com a arquitetura modernista em suas obras.

Todavia, após alguns anos vivendo no Brasil, é no nordeste que ela encontra um lugar até então desconhecido da maioria dos brasileiros. Era o Brasil da pobreza de meios e bens materiais por um lado, e que por outro lado, era rico de seiva criativa e alegria de viver por outro. 

 

Na Bahia, a arquiteta entrou em contato com Glauber Rocha, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, entre outros, o que fez com que Lina quisesse superar, na sua visão, o “esnobismo cultural” e a “inércia conservadora do Sul” para atingir uma estética também mais popular. 

 

Esse período é marcante na vida da arquiteta, que começa a buscar como traço autêntico uma união da antropologia e os traços de brasilidade do povo com a arquitetura modernista em suas obras.

Como Lina Bo Bardi desenvolveu seu próprio estilo?

Lina Bo Bardi passou toda sua vida em trânsito, navegando entre locais e visões de mundo distintos. 

 

Suas ações e seu pensamento teceram uma trajetória por dentro e por fora da cultura moderna, materializada na comunicação entre inovação e tradição, abstração e realismo, assim como entre sentimentos melancólicos e impulsos revolucionários.

Ela tinha como característica trabalhar com materiais rústicos, como por exemplo, o concreto, o vidro e a madeira. Trouxe também inovações estéticas que dialogavam com o seu período, como o uso de fiação exposta, da estrutura aparente nas obras, bem como a aplicação do concreto e do tijolo como revestimentos

 

Suas obras edificadas, frequentemente de caráter ambivalente, resultaram de processos de negociação complexos e foram concebidas de forma híbrida. Ela pegou a simplicidade estética do Modernismo na arquitetura e transformou em um diálogo do moderno com o popular

•   O desejo de se desenvolver uma estética democrática

•   A busca pela harmonia entre tradição e inovação

•   A busca por formas híbridas  


Como a obra de
Lina Bo Bardi
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